A Secretaria Municipal de Educação (Semed) promoveu, nesta sexta-feira (18), uma formação sobre altas habilidades, superdotação e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), no Teatro da Faculdade Insted. O encontro reuniu profissionais que atuam diretamente com a Educação Especial na Rede Municipal de Ensino (Reme).
A programação contou com o neuropsicólogo Israel Daige, que abordou a avaliação neuropsicológica no rastreio de altas habilidades ou superdotação, e com a neuropediatra Maria José Maldonado, que tratou do TDAH e de suas diferentes manifestações ao longo do desenvolvimento.
Ao falar sobre altas habilidades, Israel chamou a atenção para a complexidade da identificação e para o risco de reduzir o estudante a um resultado isolado.
“Estamos procurando apenas quem vai bem ou também quem tem potencial para ir além? Às vezes, a criança não vai bem em tudo, mas tem um potencial de desempenho em determinadas tarefas”, explicou.
O neuropsicólogo destacou ainda que não existe um único teste capaz de determinar a superdotação. A investigação considera inteligência, raciocínio, memória, linguagem, aprendizagem, atenção, funções executivas e aspectos comportamentais, além de informações da escola e da família.
“É uma avaliação mais ampla do que só a inteligência. É um rastreio de potencial em diferentes áreas cognitivas”, afirmou.
A discussão também abordou situações do cotidiano escolar, como a aceleração de estudantes com altas habilidades. Israel ressaltou que o desempenho cognitivo não deve ser observado isoladamente e que aspectos como maturidade, relações sociais e rede de apoio também precisam ser considerados.
Na segunda parte da manhã, Maria José Maldonado trouxe a experiência da neuropediatria para discutir o TDAH. Ela destacou que a presença de alguns sintomas, por si só, não caracteriza um transtorno e que diferentes fatores precisam ser considerados na avaliação.
“Cada caso é um caso. O profissional precisa ter conhecimento técnico, mas precisa saber discutir. Às vezes, outro colega, outro profissional, vai dar uma informação que você não tem pela sua experiência”, afirmou.

A neuropediatra ressaltou que uma mesma estratégia não necessariamente atende a todos os estudantes. Nesse processo, o diálogo entre profissionais de diferentes áreas permite reunir informações e perspectivas para compreender cada situação de forma mais ampla.
Coordenado pelo Centro Municipal de Educação Especial Inclusiva (CMEEI), o encontro reuniu professores de Salas de Recursos Multifuncionais, profissionais do Grupo de Psicopedagogia (GAPSI), técnicos do Atendimento Educacional Especializado (ETAEE), coordenadores focais da Educação Especial e integrantes da equipe do Centro.
A formação busca ampliar a articulação entre Educação, Saúde e os diferentes serviços envolvidos no atendimento aos estudantes, contribuindo para a identificação de barreiras, necessidades e potencialidades no cotidiano escolar.
