Materiais que poderiam parar no lixo ganharam novas funções e possibilidades de renda durante o Mutirão Todos em Ação, realizado no último sábado (22), na Escola Municipal Professor José de Souza (Zezão), no Bairro Oliveira (3). Por meio do programa Sustentabilidade e Economia Criativa, o Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) levou para a comunidade atividades de reciclagem, reaproveitamento de resíduos e artesanato.
A proposta foi mostrar, na prática, que objetos e materiais descartados no cotidiano podem servir como matéria-prima para novos produtos. Uma das atividades contou com a troca de materiais reutilizáveis por kits de verduras, estimulando os moradores a separar os resíduos e fazer o descarte correto.
A professora Rosineide Barbosa, de 56 anos, participou da ação levando garrafas PET. Para ela, a iniciativa ajuda a transformar a separação dos recicláveis em um hábito. “É um incentivo para separar o lixo reciclado, que devemos sempre juntar e separar sempre. ”
Além da troca de materiais, cerca de 30 mulheres participaram de uma oficina de decupagem com filtro de café usado. A técnica consiste em recortar e colar materiais sobre diferentes superfícies e, na atividade, o resíduo foi utilizado para criar um acabamento com aparência semelhante à de couro envelhecido.
O exercício faz parte da proposta de economia criativa desenvolvida pelo FAC, que utiliza o reaproveitamento como caminho para ensinar novas técnicas de artesanato. A atividade também mostra como materiais de baixo custo podem ser transformados em peças com valor agregado.

Moradora do Bairro Oliveira (3), Fátima Rosa, de 30 anos, participou da oficina e destacou a possibilidade de reaproveitar materiais que normalmente seriam descartados. “O uso do material em si, o jeans. Que a gente vai jogar fora e a gente tem um retorno com ele, fazendo umas peças muito bonitas de artesanato. ”
A iniciativa também dialoga com o curso de artesanato sustentável oferecido pelo FAC. Para quem participa das capacitações, o aprendizado pode representar uma alternativa para complementar a renda e, ao mesmo tempo, criar uma rede de convivência.
A assistente social Andréia Cristina da Silva, de 50 anos, participa do curso e vê na atividade uma possibilidade de construção coletiva. “Esse curso, hoje em dia, vem com rendas, trazendo muitas informações para nós que somos donas de casa, que estamos aposentadas. É um grupo que se reúne e pode se tornar, quem sabe lá na frente, uma futura cooperativa”, relatou Andréia, que é moradora da região do Buriti.
Aparecida de Souza, de 73 anos, também moradora do Buriti, começou recentemente a participar das aulas. Incentivada pelas irmãs, decidiu conhecer o curso e encontrou no artesanato uma nova atividade. “Minhas irmãs começaram, e elas me chamaram e eu decidi ir; se eu gostasse, eu ficaria, e gostei. Além de conseguir uma renda extra com os bonecos”, comemorou Aparecida.
Para a presidente do FAC, Adir Diniz, o reaproveitamento amplia as possibilidades de utilização dos materiais e contribui para a conscientização ambiental. “A reciclagem, além de contribuir para o meio ambiente, permite a transformação dos materiais em novas possibilidades de utilização.”
A experiência apresentada durante o mutirão aproxima duas práticas que fazem parte do cotidiano: o cuidado com o descarte e a criação de novas possibilidades a partir do que já existe. Ao transformar resíduos em matéria-prima para o artesanato, as oficinas mostram que sustentabilidade também pode estar relacionada à criatividade, ao aprendizado e à geração de renda.
#ParaTodosVeem: A imagem de capa mostra bonecos e enfeites de Natal feitos com reaproveitamento de jeans expostos no Mutirão Todos em Ação.
