A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) alertou, em nota, que o bloqueio de R$ 44,9 milhões em seu orçamento de 2026 poderá comprometer atividades consideradas essenciais para a segurança hídrica do País.
Segundo a agência, a preocupação é maior porque a medida ocorre em um cenário de previsão de intensificação de eventos climáticos extremos associados ao fenômeno Super El Niño, que tende a aumentar os riscos de secas, cheias e inundações. Segundo a agência, a redução de recursos agrava uma situação já marcada por restrições orçamentárias nos últimos anos.
Um dos principais impactos será sobre a operação e manutenção da Rede Hidrometeorológica Nacional, formada por mais de 4,5 mil estações de monitoramento de rios e chuvas distribuídas pelo Brasil. A rede fornece informações utilizadas na emissão de alertas de enchentes e estiagens, no apoio às Defesas Civis, no planejamento do abastecimento de água, da irrigação, da navegação, da geração hidrelétrica e na gestão de reservatórios. Com menos recursos, a produção desses dados poderá ser reduzida, afetando a capacidade de prevenção e resposta a eventos extremos
O contingenciamento também deverá limitar a fiscalização de 197 barragens sob responsabilidade da ANA. A agência prevê redução de inspeções presenciais, visitas técnicas e ações de acompanhamento preventivo dessas estruturas, consideradas estratégicas para a segurança hídrica e para a proteção da população. Além disso, o corte de recursos comprometerá programas de capacitação técnica e estudos que subsidiam a elaboração de normas regulatórias para o setor de saneamento básico.
Outro ponto de preocupação destacado pela agência é a redução dos investimentos em tecnologia da informação e cibersegurança.
